Resumo
A Literatura no ensino médio: Quais os desafios do professor?
Ivanda Martins , em seu artigo, faz vários questionamentos acerca do ensino da literatura no ensino médio,tais como o modo como se deve trabalhar a literatura em sala de aula, o modo como os conteúdos são abordados, a ausência de uma discussão metodológica e de subsídios que auxiliem a prática pedagógica. Focaliza dificuldades encontradas como o aparecimento das novas tecnologias, da internet, hoje um meio de comunicação atrativo para os alunos e o como fazê-los gostar de literatura, estando estes alunos já inseridos no mundo virtual, um mundo policrômico e multiforme,onde lhe são aguçados os sentidos: o áudio e principalmente o visual. Antes da internet, a possibilidade de ficcionalizar, de imaginar era uma função mais ativada pela literatura, no entanto, a autora afirma que as novas tecnologias vêm requerer uma postura diferente em face da literatura e que esta busca caminhos para se adaptar à era dos recursos eletrônicos eda hipermídia. Ressalta que aos textos impressos somam-se os textos eletrônicos e que o leitor precisa estar familiarizado com a articulação destas diferentes linguagens. Segundo Ivana Martins , a escola precisa desenvolver estratégias para que o leitor seja capaz de ultrapassar a superficialidade desse tipo de leitura, devido a rapidez no acesso às informações disponibilizadas pelos recursos da era digital, o que deve ser uma leitura das entrelinhas, uma leitura crítica para este leitor.
Outro ponto questionado é o de que a escola ainda cultiva uma visão tradicional da literatura e de que esta noção da literatura como “belas letras” promove uma elitização das obras literárias, supervalorizando o cânon literário,o que pode distanciar a literatura do aluno.Questiona ainda as lacunas que vem desde o ensino fundamental e a seleção inadequada de obras literárias que não levam em conta o conhecimento prévio do aluno. Uma outra crítica é de que o texto literário é objeto de análises superficiais na escola e de que é tratado de modo isolado.O aluno deve ter um repertório mais amplo de leituras e o conhecimento da organização estética da obra literária mais valorizada afim de desenvolver a criatividade e a imaginação na interação com textos, o que se dá ao se relacionar a leitura da literatura que é o prazer de ler o texto literário ao ensino da literatura , que é o reconhecimento destas singularidades no que se refere às estéticas da obra, desta se observa o saber lingüístico, o conhecimento , enfim, específico da teoria e crítica literárias. O educando deve reconhecer que o sentido não está no texto, mas é construído pelos leitores na interação com textos. O tewxto literário não deve ser tratado de modo isolado, pois depende da atualização do aluno-leitor.Como literatura não deve ser apenas admirado e que deve-se reavaliar a noção da literatura como expressão de “bela linguagem”, o que como fora observado ,distancia o texto do aluno. O aluno –leitor deve construir seu próprio cânon literário, valorizando seu repertório de leituras.
A literatura deve ainda ser relacionada a outras áreas de conhecimento, deve ser interdisciplinar e manter relações dialógicas convergindo para um mesmo ponto: o diálogo entre as diversas áreas do conhecimento, transdisciplinar.Deve-se ter em vista noções de intertextualidade, estabelecendo-se relações entre textos literários e não-literários ; transversalidade,dando ênfase aos temas transversais e intersemiose,o diálogo entre a literatura e outras artes. A partir destes enfoques uma outra crítica é feita: os conteúdos curriculares apresentados aos alunos são fragmentados e sem articulação com o social. Então, reflexões são propostas, como a escolarização adequada da leitura literária. A escola deve incentivar a leitura de obras clássicas, no entanto , produções contemporâneas também merecem ser lidas e estudadas pelos educandos por sua riqueza temática e estética. A literatura compreendida como produção artística e também influenciada pela ordem política, social, ideológica, histórica, enfim.Deve-se haver essa compreensão ampla da literatura; seu caráter atemporal, bem como a função simbólica e social da obra literária.O que é certamente um desafio no contexto escolar,uma vez que a realidade, é que há uma escolarização inadequada da literatura, aquela que privilegia a análise gramatical e em que se trabalha a literatura isolada de outras disciplinas. O artigo diz ainda que os problemas não estão nos conteúdos trabalhados em sala de aula, mas no modo como são abordados, a prática pedagógica pela ausência de discussões metodológicas como já fora observado.
A autora enfatiza que o aluno deve gostar de ler, ler por prazer, compreender o texto enquanto multiplicidade de significados dentro das esferas cultural, ideológica, social, histórica e política.E que para que isso ocorra ,deve haver algumas desmitificações como,por exemplo, a disseminação do mito de que a literatura é muito difícil. Ao incentivar a leitura de obras clássicas considerando apenas a linguagem num contexto espácio-temporal, a leitura passa a ser algo distante da realidade do aluno.A autora critica ainda as atividades com a literatura por meio de textos fragmentados, embora reconheça que nos livros didáticos há enfoques intertextuais , interdisciplinares e intersemióticos que enfatizam a diversidade de gêneros, porém o problema está em se supervalorizar a intenção do autor, quando o ideal seria levar o aluno a ler nas entrelinhas ou além delas, entender as relações intertextuais, fazer inferências, enfim, afinal o sentido do texto está no leitor e não no texto em si. Outro mito é de que é preciso ler obras literárias para escrever bem,onde a leitura de obras literárias resulta em uma produção de uma redação ou no preenchimento de fichas de leituras, exercícios que avaliam o domínio da norma gramatical, o registro escrito, quando deveria ser necessário diversificar as atividades voltadas à leitura literária,estando este livre na escolha de seus próprios textos. A linguagem marcada pela especificidade é um outro mito onde a escola parece contribuir pela formação de leitores acríticos ao desfrutar de grande poder de censura estética, discriminando o fazer artístico-literário.
É preciso que a escola vá mais além dessas concepções e perceba o quanto é urgente integrar a literatura num ambiente global, informacional, inserida nas práticas culturais e para isto a autora propõe sugestões,reflexões, uma contribuição para o trabalho de professores dispostos a refletir, analisar e reavaliar sua prática pedagógica, o que se faz necessário, afinal o ser humano é um ser inacabado e deve estar sempre predisposto a mudanças, a aceitar o novo e o diferente.
Ana Cláudia Ramalho de Lucena
29.01.2010
domingo, 31 de janeiro de 2010
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Ok, Ana Cláudia!
ResponderExcluirGostou do artigo? Muito bom, não é?
Vamos tentar seguir as orientações da Mestra,
inovando e colocando já em prática, ao menos um pouco dessas orientações.