quinta-feira, 27 de agosto de 2009

O olhar

Ana Cláudia Ramalho de Lucena


O Olhar é um espelho
Que reflete a alma
Brilha como a luz
Das estrelas no céu
Quando o amor se guarda
Em nosso coração.

O olhar revela o sentimento
Que as palavras não declaram
Transparece a lágrima
Que não se deixa cair
A felicidade contida
Num sorriso acanhado.

O olhar é lança que não fere
Quando o ciúme faz sentir
A dor de um amor traído
É uma muralha que se ergue
Em nossa defesa para que
Não penetre um outro olhar inimigo.

O olhar se revela
E ao mesmo tempo
Se faz conter em segredos
No mistério sobre-humano
De ser o que somos
De amar como amamos.

O olhar é um sentido duplo
Que visa e avisa
Que o amor vai chegar
É uma dádiva de Deus
E assim podemos ver o mundo
E como um ser alado nele sobrevoar.

O olhar não impõe limites
Vai além de todas as fronteiras
De todos os horizontes
Deste universo desconhecido
Inexplorável e desejado
Que somos nós.

O olhar... esse teu olhar
Floresce como primavera
Em meu inspirado coração
E transformo em poesia
Esse teu olhar que sempre
Me conduzirá ao teu coração.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009







Relatório
Avançando na prática
O meu primeiro passo foi escolher uma atividade que estivesse compatível ao nível de compreensão do meu alunado e achei interessante trabalhar a questão da gramática internalizada e o ensino produtivo. Resumi e estudei o assunto, digitei-o como uma espécie de pré-projeto, mostrando ali no trabalho a fundamentação teórica, a metodologia e as atividades como seriam aplicadas. Minhas turmas escolhidas foram as 5ª “C” e 5ª”D” do Ana Faustina, sou a professora de Língua Portuguesa do turno da tarde e a professora das 5ª “A” e 5ª”B” da manhã estudou aquele pré- projeto e com a metodologia dela, todas as 5ª séries da manhã e tarde foram contempladas com esta atividade diferenciada.
Iniciei perguntando se eles sabiam o que era gramática e surpreendi-me, pois eles não sabiam do que se tratava. Expliquei, e entrei na questão da gramática internalizada, perguntando-lhes se uma criança de dois anos, por exemplo, já fazia uso de gramática ao falar.
A 1ª etapa ( 1ª e 2ª atividades: Leitura e compreensão ) foi lermos uma transcrição de uma conversa entre uma criança de dois anos , a avó e uma babá. Os textos e a atividade de compreensão do texto foram previamente xerocados pela escola e no ato da leitura cada aluno estava com o seu texto em mãos , seguindo-se a atividade em que eles consultaram um dicionário ( cada um com um dicionário, pegos na biblioteca da escola ) para buscar o real significado da palavra gramática. A atividade de leitura e compreensão durou um módulo inteiro ( 2 aulas e meia ) e
Foi interessante também porque havia neste material retirado do TP e adaptado também, questões sobre flexões do substantivo e do adjetivo, assunto que estávamos estudando nas aulas de Português. Então, eles perguntaram e questionaram muito e foi um momento de estudo mesmo. Perto de terminar a aula pedi que eles transcrevessem em bilhetinhos, que eles podiam trazê-los arrumadinhos de casa, uma fala de uma criança que eles conhecessem de 1 a 4 anos e não entrei mais em detalhes. Eles ficaram curiosos e eu falei que a próxima aula seria bem produtiva e diferente.
Na aula seguinte , convidei novamente a coordenadora da escola que já havia tirado fotos do primeiro momento, na aula anterior, para tirar novas fotos da 2ª etapa ( 3ª atividade – colagem dos bilhetes e reescrita dos mesmos ) que seria a produção de um mural. Em casa, em papel madeira desenhei estrelinhas e pintei-as de caneta futura vermelha, este seria o espaço em que eles colariam os seus bilhetes e tracejei embaixo para que eles pudessem fazer a reescrita dos textos de forma correta.
São crianças entre 10 e 11 anos, na hora todos querem participar, colar, escrever; as estrelinhas facilitaram e até aqueles alunos mais “ativos” na sala, já sabiam onde colar. Deixei 6 canetinhas futuras coloridas sobre o birô e eles faziam a fila pela ordem dos seus bilhetes e cada um após o outro, reescrevia o seu bilhete; claro que alguns erravam a escrita, houve até quem colocasse “bixo” em vez de “bicho”, “bôi” em vez de “boi”, mas orientei-os quanto à ortografia e havia mais linhas para que eles reescrevessem novamente a frase, desta vez, de forma correta.
Foi ótimo e eles adoraram tirar fotos fazendo aquela atividade. A 3ª etapa ( 4ª atividade: observação da ilustração e reescrita de frases ) consistia no seguinte: no material xerocado deles, que continha duas folhas, havia uma ilustração que eu havia colocado assim com uma paisagem campestre, uma escolinha, animais e transportes na estrada, duas crianças num gramado, entre outros elementos; e fiz aos alunos a seguinte pergunta, eu mesma utilizando a linguagem popular: O que é que temos nesta figura? Eles responderam primeiro na folha,na aula anterior, pois o material xerocado já havia sido todo respondido e eu, por minha vez, já o havia verificado em casa e vi que apenas uma aluna de aproximadamente 80, respondeu: “Nesta paisagem há...” e começou a citar os elementos, todos os outros usaram ou o verbo “ter” em vez de “haver” ou apenas citaram os substantivos. E fomos à prática. Munidos de uma folhinha com a ilustração, fui a princípio sorteando , depois eles mesmos passaram a vir por livre e espontânea vontade ao quadro, onde eu havia colocado um cartaz de papel madeira todo traçado e pedi que eles colocassem respostas completas:” O que temos neste cartaz?” E as respostas saíram,mais ou menos assim: “Tem uma menina comendo maçã.””Tem uma bola no gramado.” “Tem um ônibus parado na estrada”. Depois que eles foram dando as respostas, coloquei ao lado outro cartaz todo traçado , onde eles fizeram a reescrita das frases,após a minha explicação de que ao usarmos a norma culta devemos usar o verbo “haver”, ao escrever, e assim eles foram corrigindo:”Há uma menina comendo maçã”. “Há uma bola no gramado.”, enfim...E ainda pude orientá-los quanto ao uso da letra maiúscula no início de frases ou orações, foi ótimo! Todo o material está guardado e foi muito bom, muito bom mesmo!


Ana Cláudia Ramalho de Lucena
Surubim, 08 de agosto de 2009 .






Memorial

Minha História de vida com a Leitura

Das lembranças de minha infância, quando ainda não sabia ler, só tenho lembranças de que eu gostava de livros grandes, com ilustrações também grandes e coloridas, de bichinhos, pois eu já me encantava muito com as imagens e tinha um interesse especial em recortá-las, talvez fosse uma forma encantada de trazer aquele mundo especial para perto de mim.
Foram inúmeras as histórias que meus pais até hoje contam referentes a esse meu gosto, assim tão diferente, como esconder-me debaixo da cama junto com o meu irmão e recortar um velho álbum de fotografias de papel (de cartolina) que o meu pai mesmo havia confeccionado e cortei já sozinha alguns gibis, na época já eram clássicos, de meu irmão – eram do Tio Patinhas, Zé Carioca, entre outros, ele ficava furioso.Não parou por aí não. Ah! E você pode até achar que recortar não tem muito haver com a leitura, mas vai descobrir nestas linhas que minha história de vida com a leitura está intimamente ligada à produção delas. Eu já sabia ler, e tenho recordações dos meus 9 anos de idade de que ainda gostava de recortar, recortava figurinhas de revistas, não me lembro muito se assim se escrevia “Mappin Postal”, era uma revista que meu pai tinha por assinatura.
Sou natural de Surubim, mas nesta época meu pai havia sido transferido no seu emprego, tomou posse lá, no Banco do Nordeste de Alagoa Grande-PB, em 1985. Bom! Meu pai sempre me lembra desta história: as bonecas guardadas em um canto do quarto ou em cima do guarda-roupa. Meu negócio era espalhar todas as figuras no chão e o pessoal de casa só escutava os cochichos, eram as falas das personagens que eu inventava.Voltamos para Surubim em 1987, aos 11 anos, cursando a 6ª série, já tinha predileção pela disciplina de Língua Portuguesa e de Língua Inglesa, por razões diferentes: eu gostava de minhas professoras de Português, algumas hoje, são minhas colegas de trabalho e de Língua Inglesa...Ah! meu pai gostava muito de comprar discos - nacionais e internacionais - meu pai ainda me diz que eu aprendi Inglês cantando as músicas de Madonna e de outros cantores, pois nos discos, alguns vinham as letras de música, que eu tentava cantar e traduzir sozinha.Dá para perceber que minha adolescência foi embalada pela música, clássicos dos anos 80 e 90, que ainda hoje amo escutar.Você ainda acha que isso não tem nada a ver com minha história de leitura? Perceberá então que eu fui uma adolescente meio controversa, como são todos. Gostava de desfilar, de cantar, de dançar e de jogar handebol, mas de falar não. Eu falava muito com o coração, através dos poemas que a vida me ensinou a fazer, num momento dela em que meu pai foi novamente transferido para Agência Centro- BNB de Recife, em 1993; naquele momento a vida me separou de minhas amizades e de paixões que brotavam num coração adolescente. Foram 80 poesias escritas, a primeira intitulada “Saudades” eram enormes: a saudade e a poesia. Meu pai digitou todas e encadernou-as como um “livro” para mim.
Nunca tivemos condições financeiras de publicá-las, direitos autorais naquela época já custavam caro e eu já tinha uma infinidade de poesias. E além das poesias, escrevi um conto intitulado “Anjo do Passado”,tenho guardados, que meu pai guardou como quem guarda uma relíquia, um primeiro ensaio com ilustrações que eu mesma fazia, eu desenhava até bem e o
conto definitivo , que eu mesma datilografei e posteriormente meu pai digitou-o todinho. Ele foi e é um grande incentivador. Em 1989, foi uma fase anterior a esta da poesia, eu já fazia uns livretos, tipo histórias em quadrinhos, a estrutura não era tão boa, não. Amadureci minha escrita fazendo mesmo os meus poemas, poesias e o meu conto. Em Recife, não tinha amigos, não gostava de sair, passava minhas horas estudando, e só sabia estudar escrevendo; apenas ler não bastava. Tentei fazer um cursinho pré-vestibular e até arrumei trabalho, não durou muito, pois meu sonho se concretizava: voltamos para minha terra natal. E não teria mais que ir embora, pois logo meu pai se aposentaria. Isso foi em 1996. Prestei vestibular para FFPNM-UPE, já ia completar meus 21 anos.Passei! Advinha pra quê? Letras. Conclui, ainda fui laureada, ah! que bom! Pois é, ganhei a bolsa integral para fazer minha pós graduação em Língua e Literaturas de Língua Inglesa. Também fiz conhecida minhas poesias lá, pelo menos naqueles momentos entre um evento e outro da própria faculdade. Não foram muitos, mas o pouco que durou ficou registrado. Mostrei o meu “livro”a um professor que tive de Literatura. Ele me falou que havia ali uma busca, mas ele não sabia o quê. Eu hoje sei que era saudades de Surubim, de minha terra natal, onde fui e sou feliz. Hoje sou casada com o Sérgio e tenho dois filhos: Marcos Henrique de 6 anos e o Tiago Mateus de 4 anos. Moro vizinho aos meus pais, nós, juntos, somos um só.Hoje sou professora, concursos fiz quatro: trabalhei em João Alfredo, Casinhas – foram nas escolas de Casinhas onde trabalhei mais com projetos de leitura, até ganhei um certificado por isso, como uma educadora esforçada, comprometida com este tipo de trabalho, porém trabalhar com projetos é gratificante, mas é preciso uma equipe que planeje e cumpra, pois é com esse tipo de trabalho que eu acredito que “uma andorinha só não faz verão”- e deixei estes dois empregos para ficar onde estou atualmente, trabalhando para o Município, na Escola Oliveiros de Andrade Vasconcelos e para o Estado, na Escola Estadual Ana Faustina.
Já professora – dez anos entre estágios e como efetiva , 8 - fui homenageada uma vez num Sarau que teve no Colégio Nossa Senhora do Amparo em Surubim, este momento ocorreu em 21.08.99.Foi no Colégio do Amparo que estudei quase toda minha vida e neste dia ganhei até uma medalha como poetisa. Hoje vou vivendo a minha vida, gostando muito de escrever, como pode ver e quem gosta de escrever, gosta de ler. Só não gosto muito de falar. Por que será? Isso talvez desse um livro de poesias...


Ana Cláudia Ramalho de Lucena