quarta-feira, 26 de agosto de 2009







Relatório
Avançando na prática
O meu primeiro passo foi escolher uma atividade que estivesse compatível ao nível de compreensão do meu alunado e achei interessante trabalhar a questão da gramática internalizada e o ensino produtivo. Resumi e estudei o assunto, digitei-o como uma espécie de pré-projeto, mostrando ali no trabalho a fundamentação teórica, a metodologia e as atividades como seriam aplicadas. Minhas turmas escolhidas foram as 5ª “C” e 5ª”D” do Ana Faustina, sou a professora de Língua Portuguesa do turno da tarde e a professora das 5ª “A” e 5ª”B” da manhã estudou aquele pré- projeto e com a metodologia dela, todas as 5ª séries da manhã e tarde foram contempladas com esta atividade diferenciada.
Iniciei perguntando se eles sabiam o que era gramática e surpreendi-me, pois eles não sabiam do que se tratava. Expliquei, e entrei na questão da gramática internalizada, perguntando-lhes se uma criança de dois anos, por exemplo, já fazia uso de gramática ao falar.
A 1ª etapa ( 1ª e 2ª atividades: Leitura e compreensão ) foi lermos uma transcrição de uma conversa entre uma criança de dois anos , a avó e uma babá. Os textos e a atividade de compreensão do texto foram previamente xerocados pela escola e no ato da leitura cada aluno estava com o seu texto em mãos , seguindo-se a atividade em que eles consultaram um dicionário ( cada um com um dicionário, pegos na biblioteca da escola ) para buscar o real significado da palavra gramática. A atividade de leitura e compreensão durou um módulo inteiro ( 2 aulas e meia ) e
Foi interessante também porque havia neste material retirado do TP e adaptado também, questões sobre flexões do substantivo e do adjetivo, assunto que estávamos estudando nas aulas de Português. Então, eles perguntaram e questionaram muito e foi um momento de estudo mesmo. Perto de terminar a aula pedi que eles transcrevessem em bilhetinhos, que eles podiam trazê-los arrumadinhos de casa, uma fala de uma criança que eles conhecessem de 1 a 4 anos e não entrei mais em detalhes. Eles ficaram curiosos e eu falei que a próxima aula seria bem produtiva e diferente.
Na aula seguinte , convidei novamente a coordenadora da escola que já havia tirado fotos do primeiro momento, na aula anterior, para tirar novas fotos da 2ª etapa ( 3ª atividade – colagem dos bilhetes e reescrita dos mesmos ) que seria a produção de um mural. Em casa, em papel madeira desenhei estrelinhas e pintei-as de caneta futura vermelha, este seria o espaço em que eles colariam os seus bilhetes e tracejei embaixo para que eles pudessem fazer a reescrita dos textos de forma correta.
São crianças entre 10 e 11 anos, na hora todos querem participar, colar, escrever; as estrelinhas facilitaram e até aqueles alunos mais “ativos” na sala, já sabiam onde colar. Deixei 6 canetinhas futuras coloridas sobre o birô e eles faziam a fila pela ordem dos seus bilhetes e cada um após o outro, reescrevia o seu bilhete; claro que alguns erravam a escrita, houve até quem colocasse “bixo” em vez de “bicho”, “bôi” em vez de “boi”, mas orientei-os quanto à ortografia e havia mais linhas para que eles reescrevessem novamente a frase, desta vez, de forma correta.
Foi ótimo e eles adoraram tirar fotos fazendo aquela atividade. A 3ª etapa ( 4ª atividade: observação da ilustração e reescrita de frases ) consistia no seguinte: no material xerocado deles, que continha duas folhas, havia uma ilustração que eu havia colocado assim com uma paisagem campestre, uma escolinha, animais e transportes na estrada, duas crianças num gramado, entre outros elementos; e fiz aos alunos a seguinte pergunta, eu mesma utilizando a linguagem popular: O que é que temos nesta figura? Eles responderam primeiro na folha,na aula anterior, pois o material xerocado já havia sido todo respondido e eu, por minha vez, já o havia verificado em casa e vi que apenas uma aluna de aproximadamente 80, respondeu: “Nesta paisagem há...” e começou a citar os elementos, todos os outros usaram ou o verbo “ter” em vez de “haver” ou apenas citaram os substantivos. E fomos à prática. Munidos de uma folhinha com a ilustração, fui a princípio sorteando , depois eles mesmos passaram a vir por livre e espontânea vontade ao quadro, onde eu havia colocado um cartaz de papel madeira todo traçado e pedi que eles colocassem respostas completas:” O que temos neste cartaz?” E as respostas saíram,mais ou menos assim: “Tem uma menina comendo maçã.””Tem uma bola no gramado.” “Tem um ônibus parado na estrada”. Depois que eles foram dando as respostas, coloquei ao lado outro cartaz todo traçado , onde eles fizeram a reescrita das frases,após a minha explicação de que ao usarmos a norma culta devemos usar o verbo “haver”, ao escrever, e assim eles foram corrigindo:”Há uma menina comendo maçã”. “Há uma bola no gramado.”, enfim...E ainda pude orientá-los quanto ao uso da letra maiúscula no início de frases ou orações, foi ótimo! Todo o material está guardado e foi muito bom, muito bom mesmo!


Ana Cláudia Ramalho de Lucena
Surubim, 08 de agosto de 2009 .






2 comentários:

  1. Oi, Ana Cláudia! Que trabalho interessante!
    Gostaria de ter presenciado um momento rico como esse. Que tal, publicar aqui, as fotos que a coordenadora tirou?
    Vou imprimir seu relato pra corrigir e colocar a nota e devolver para as correções.

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