Memorial
Minha História de vida com a Leitura
Das lembranças de minha infância, quando ainda não sabia ler, só tenho lembranças de que eu gostava de livros grandes, com ilustrações também grandes e coloridas, de bichinhos, pois eu já me encantava muito com as imagens e tinha um interesse especial em recortá-las, talvez fosse uma forma encantada de trazer aquele mundo especial para perto de mim.
Foram inúmeras as histórias que meus pais até hoje contam referentes a esse meu gosto, assim tão diferente, como esconder-me debaixo da cama junto com o meu irmão e recortar um velho álbum de fotografias de papel (de cartolina) que o meu pai mesmo havia confeccionado e cortei já sozinha alguns gibis, na época já eram clássicos, de meu irmão – eram do Tio Patinhas, Zé Carioca, entre outros, ele ficava furioso.Não parou por aí não. Ah! E você pode até achar que recortar não tem muito haver com a leitura, mas vai descobrir nestas linhas que minha história de vida com a leitura está intimamente ligada à produção delas. Eu já sabia ler, e tenho recordações dos meus 9 anos de idade de que ainda gostava de recortar, recortava figurinhas de revistas, não me lembro muito se assim se escrevia “Mappin Postal”, era uma revista que meu pai tinha por assinatura.
Sou natural de Surubim, mas nesta época meu pai havia sido transferido no seu emprego, tomou posse lá, no Banco do Nordeste de Alagoa Grande-PB, em 1985. Bom! Meu pai sempre me lembra desta história: as bonecas guardadas em um canto do quarto ou em cima do guarda-roupa. Meu negócio era espalhar todas as figuras no chão e o pessoal de casa só escutava os cochichos, eram as falas das personagens que eu inventava.Voltamos para Surubim em 1987, aos 11 anos, cursando a 6ª série, já tinha predileção pela disciplina de Língua Portuguesa e de Língua Inglesa, por razões diferentes: eu gostava de minhas professoras de Português, algumas hoje, são minhas colegas de trabalho e de Língua Inglesa...Ah! meu pai gostava muito de comprar discos - nacionais e internacionais - meu pai ainda me diz que eu aprendi Inglês cantando as músicas de Madonna e de outros cantores, pois nos discos, alguns vinham as letras de música, que eu tentava cantar e traduzir sozinha.Dá para perceber que minha adolescência foi embalada pela música, clássicos dos anos 80 e 90, que ainda hoje amo escutar.Você ainda acha que isso não tem nada a ver com minha história de leitura? Perceberá então que eu fui uma adolescente meio controversa, como são todos. Gostava de desfilar, de cantar, de dançar e de jogar handebol, mas de falar não. Eu falava muito com o coração, através dos poemas que a vida me ensinou a fazer, num momento dela em que meu pai foi novamente transferido para Agência Centro- BNB de Recife, em 1993; naquele momento a vida me separou de minhas amizades e de paixões que brotavam num coração adolescente. Foram 80 poesias escritas, a primeira intitulada “Saudades” eram enormes: a saudade e a poesia. Meu pai digitou todas e encadernou-as como um “livro” para mim.
Nunca tivemos condições financeiras de publicá-las, direitos autorais naquela época já custavam caro e eu já tinha uma infinidade de poesias. E além das poesias, escrevi um conto intitulado “Anjo do Passado”,tenho guardados, que meu pai guardou como quem guarda uma relíquia, um primeiro ensaio com ilustrações que eu mesma fazia, eu desenhava até bem e o
conto definitivo , que eu mesma datilografei e posteriormente meu pai digitou-o todinho. Ele foi e é um grande incentivador. Em 1989, foi uma fase anterior a esta da poesia, eu já fazia uns livretos, tipo histórias em quadrinhos, a estrutura não era tão boa, não. Amadureci minha escrita fazendo mesmo os meus poemas, poesias e o meu conto. Em Recife, não tinha amigos, não gostava de sair, passava minhas horas estudando, e só sabia estudar escrevendo; apenas ler não bastava. Tentei fazer um cursinho pré-vestibular e até arrumei trabalho, não durou muito, pois meu sonho se concretizava: voltamos para minha terra natal. E não teria mais que ir embora, pois logo meu pai se aposentaria. Isso foi em 1996. Prestei vestibular para FFPNM-UPE, já ia completar meus 21 anos.Passei! Advinha pra quê? Letras. Conclui, ainda fui laureada, ah! que bom! Pois é, ganhei a bolsa integral para fazer minha pós graduação em Língua e Literaturas de Língua Inglesa. Também fiz conhecida minhas poesias lá, pelo menos naqueles momentos entre um evento e outro da própria faculdade. Não foram muitos, mas o pouco que durou ficou registrado. Mostrei o meu “livro”a um professor que tive de Literatura. Ele me falou que havia ali uma busca, mas ele não sabia o quê. Eu hoje sei que era saudades de Surubim, de minha terra natal, onde fui e sou feliz. Hoje sou casada com o Sérgio e tenho dois filhos: Marcos Henrique de 6 anos e o Tiago Mateus de 4 anos. Moro vizinho aos meus pais, nós, juntos, somos um só.Hoje sou professora, concursos fiz quatro: trabalhei em João Alfredo, Casinhas – foram nas escolas de Casinhas onde trabalhei mais com projetos de leitura, até ganhei um certificado por isso, como uma educadora esforçada, comprometida com este tipo de trabalho, porém trabalhar com projetos é gratificante, mas é preciso uma equipe que planeje e cumpra, pois é com esse tipo de trabalho que eu acredito que “uma andorinha só não faz verão”- e deixei estes dois empregos para ficar onde estou atualmente, trabalhando para o Município, na Escola Oliveiros de Andrade Vasconcelos e para o Estado, na Escola Estadual Ana Faustina.
Já professora – dez anos entre estágios e como efetiva , 8 - fui homenageada uma vez num Sarau que teve no Colégio Nossa Senhora do Amparo em Surubim, este momento ocorreu em 21.08.99.Foi no Colégio do Amparo que estudei quase toda minha vida e neste dia ganhei até uma medalha como poetisa. Hoje vou vivendo a minha vida, gostando muito de escrever, como pode ver e quem gosta de escrever, gosta de ler. Só não gosto muito de falar. Por que será? Isso talvez desse um livro de poesias...
Ana Cláudia Ramalho de Lucena
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
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